Histrico das Diferentes Vises
de Mundo Psquico
ssim como a base filosfica emprica sustentava a Escola Estrutural
- - e Funcional, as teorias posteriores desenvolvidas na Psicologia devem ser entendidas a 
partir da linha filosfica que as norteia.
So as linhas filosficas que iro definir a metodologia. Portanto, para entendermos a 
prtica em Psicologia  necessrio reconhecer as matrizes filosficas de cada corrente. No 
decorrer do seu desenvolvimento experi mental e clnico os mtodos foram se renovando e 
se fortalecendo, novos pensamentos foram surgindo, gerando diferentes vertentes; algumas 
delas apresentaremos no decorrer deste captulo.
5.1 Behaviorismo: John Broadus Watson (1 878-1958)
e Burrhus Frederich Skinner (1904 -1989)
A corrente behaviorista de Psicologia caracteriza-se pelas razes experimentais muito bem 
sedimentadas. Primeiramente, pretendemos oferecer o caminho histrico do behaviorismo 
e, em seguida, apontar alguns eixos de sustentao dessa teoria do comportamento humano.
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 Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos  Mediante o pensamento 
behaviorista entende-se que, pela observao
e expermentao sistemtica e cuidadosa,  possvel desenvolver um con junto de 
princpios que podem explicar adequadamente o comportamento humano.
A Psicologa, a partir do behavorismo, deixou de lado a preocupao com a conscincia 
tornando-se uma cincia do comportamento de organismos, comportamentos esses 
ocorridos em dimenses fsicas de espao e de tempo. Assim, fica definitivamente para trs 
a idia de Psicologia como o estudo da alma, abrindo-se a questo de que ela tambm no 
pode mais ser considerada corno a pura cincia da conscincia, uma vez que seu campo 
de anlise, a partir de ento, ficou limitado aos eventos que podiam ser empiricamente 
observados.
Ao iniciarmos esse assunto, necessariamente devemos lembrar que os funcionalistas foram 
aos poucos modificando os pressupostos da Escola Estrutural, sem que acontecesse um 
afastamento formal dela. Foi, portanto, um crescimento natural, tanto que, segundo Schultz 
(1992, p. 129):
 no houve um determinado dia ou ano que possamos apontar como o incio do 
Funcionalismo  um momento em que a Psicologia tivesse mudado de um dia para outro. 
Com efeito,  dificil E... apontar um indivduo em particular como o fundador do 
Funcionalismo.
Na verdade, ao mesmo tempo que o funcionalismo foi se desenvol vendo e amadurecendo, 
o estruturalismo continuou, por algum tempo,
mantendo suas bases em sua definida e forte posio.
Foi por volta de 19 13 que aconteceu o verdadeiro rompimento contra o pensar psicolgico 
que ambas as escolas propunham. Esse movimento chamou-se behaviorismo e seu lder foi 
um psiclogo chamado Watson. Seu primeiro ataque  Psicologia ento dominante foi feito 
por intermdio de um artigo publicado pela Psychological Review. Nele, Watson contestou 
durarnente o modelo psicolgico defendido pelas escolas da poca e dizia, vibrantemente, 
que se a Psicologia quisesse se fortalecer no mundo da cincia seria necessrio que ela 
repensasse com urgncia seu objeto de estudo.
Sua proposta.era de que a Psicologia deveria estudar o comportamento,
ou sej a, ele supunha que o objeto de estudo dessa cincia fosse determinado,
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 Histrico das Difrentes Vises de Mundo Psquico 
prioritariamente, pelos atos observveis de conduta que pudessem ser
descritos em termos de estmulo e resposta.
Para entendermos o pensamento de Watson, nada melhor do que irmos direto s suas 
prprias palavras. Vamos resgatar, por cuidados recortes, seu artigo que o ponto de partida 
formal do behaviorismo. Esse texto se chama Psychology as the Behaviorist Views It e foi 
publicado em 1913:
A Psicologia, tal como o behaviorista a interpreta,  um ramo puramente objetivo e 
experimental da cincia natural. Seu objetivo terico  a predio e o controle do 
comportamento. A introspeco no  parte essencial dos seus mtodos nem o valor 
cientfico dos dados, depende da facilidade com que podem ser interpretados em termos de 
conscincia. O behaviorismo, em seu esforo para conseguir um esquena unitrio da 
resposta animal, no reconhece linha divisria entre o homem e o animal irracionais. O 
comportamento do homem, com todo o seu refinamento e toda a sua complexidade, 
constitui apenas uma parte do esquema total de pesquisa do behaviorista [ No desejo 
criticar injustamente a Psicologia. Ela no conseguiu nitidamente, durante cinqenta anos 
como disciplina experimental, encontrar seu lugar como cincia natural indiscutvel [ ter 
chegado o momento em que a Psicologia precisa afastar toda e qualquer referncia  
conscincia; em que j no precisa ser induzida a pensar que est fazendo dos estados 
mentais o objeto de observao [ Os ltimos quinze anos assistiram ao desenvolvimento do 
que chama Psicologia Funcional. Este tipo de Psicologia afasta o uso de elementos, no 
sentido esttico dos estruturalistas. Acentua a significao biolgica dos processos 
conscientes em elementos isolveis por introspeco. Fiz o melhor que podia para entender 
a diferena entre Psicologia Funcional e Psicologia Estrutural. Em vez de maior clareza, ca 
em maior confuso [ A Psicologia que eu tentaria construir consideraria como seu ponto de 
partida, em primeiro lugar, o fato observvel de que os organismos, tanto humanos quanto 
animais, se ajustam a seus meios ambientes atravs do equipamento hereditrio e dos 
hbitos. Tais ajustamentos podem ser muito adequados ou to inadequados que o 
organismo s a custo
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 Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos  mantm a sua existncia; 
em segundo lugar, alguns estmulos
levam os organismos a apresentar as respostas. Num sistema de Psicologia inteiramente 
desenvolvido, dada a resposta  possvel predizer o estmulo; dado o estmulo,  possvel 
predizer a resposta [ O que me d esperana de que aposio behaviorista seja defensvel  
o fato de que aqueles ramos da Psicologia que j se separaram parcialmente da psicologia-
me, a psicologia experimental, e que, por conseguinte, so menos dependentes da 
introspeco, se encontram hoje em condies sumamente florescente. A pedagogia 
experimental, a farmacopsicologia, a psicologia jurdica, a psicologia dos teste e a 
psicopatologia esto todas em vigoroso crescimento [ Estou interessado, no presente 
momento, em tentar mostrar a uniformidade no procedimento experimental e no mtodo de 
apresentao de resultados no trabalho com o homem e com animais do que em 
desenvolver quaisquer idias que possa ter acerca das mudanas que certamente adviro 
para o raio de ao da psicologia humana [  possvel que no exista uma falta absoluta de 
harmonia entre a posio aqui descrita, em suas linhas gerais e a da Psi cologia Funcional. 
Sou propenso a pensar, entretanto, que as duas posies no podem ser facilmente 
harmonizadas [ O que precisamos fazer  comear a trabalhar em psicologia fazendo do 
comportamento e no da conscincia o ponto objetivo do nosso ataque.
Podemos compreender pelo texto de Watson como se deu a formu lao inicial do controle 
do comportamento do homem por meio de estmulos ambientais, como se deslocou o 
interesse da conscincia para o comportamento e como aconteceu a modificao de 
metodologia da introspeco para os prprios mtodos da Fsica e das cincias naturais, 
uma vez que, na perspectiva de Watson, as leis que governam o homem so entendidas 
como as mesmas leis universais que governam todos os fenmenos naturais.
Dessa maneira, o behaviorismo representou uma corajosa tentativa de reduzir a Psicologia a 
uma cincia natural, deixando de lado a conscincia (que envolve memria, vontade e 
inteligncia do sujeito), voltando-se, exclusivamente, para o comportamento objetivo.
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 Histrico das Di/rentes Vises de Mundo Psquico 
 evidente que a primeira dcada do sculo XX, nos Estados Unidos, favoreceu a forma 
utilitria e pragmtica de lidar com a realidade e com o ser humano nela inserido e o 
sucesso do behaviorismo se deveu ao fato de lidar com fenmenos observveis, 
controlveis, mensurveis. A cincia estava sendo pensada em termos objetivos e o 
comportamento humano sendo explicado pelo xito das respostas.
Watson fundamentava a fora da aprendizagem no desenvolvimento da personalidade, o 
que remonta ao lastro emprico que sustentava a viso de homem na qual a aquisio do 
conhecimento e as prprias funes intelectuais so conseqncia de experincia. Por 
exemplo, ao trabalhar com criana, Watson constatou apenas trs formas congnitas de 
comportamento:
medo (ligado  sensao de desequilbrio), clera (observvel desde o dcimo dia de vida e 
ligada ao impedimento de movimento) e amor (relacionado a embalos e carcias); todos os 
demais comportamentos que compem a personalidade so aprendidos por 
condicionamento.
O Empirismo, na sua preocupao com o processo de aquisio de conhecimento, 
desemboca na teoria das associaes de idias. Alis, voc dever lembrar-se nesse 
momento do texto em que Aristteles j havia observado que uma coisa faz a gente 
lembrar outras . O empirista defendia a idia de que o nosso conhecimento do mundo, das 
coisas e das pessoas era construdo de sensaes. A ateno dos pensadores empricos 
estava voltada para os processos das percepes especficas que pouco a pouco iluminou a 
discusso filosfica pela vertente da conexo, da causalidade, da associao, permitindo 
pensar a aprendizagem e o desenvolvimento de processos superiores constitudos, 
principalmente, pela combinao de elementos mentais supostamente irredutveis. O que 
podemos notar, nesse breve apontar filosfico,  que os pensadores do Empirismo 
preocupavam-se em descobrir leis naturais em um mundo de acontecimentos naturais e 
observveis. O Empirismo e o Associacionismo podem ser considerados a principal fonte 
de preparao filosfica para a psicologia cientfica.
Alm do caminho que a filosofia abria, havia a fora da pesquisa em psicologia animal, na 
qual alguns nomes, alm do prprio Watson, devem ser apontados, como Edward Lee 
Thorndike (1874-1949), pois foi ele quem, de fato, introduziu a verdadeira investigao 
experimental de animais, em condies controladas de laboratrio. Thorndike criou a 
abordagem experimental do Associacionismo ou Conexionismo.
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Psicologia: Das Razes aos Movimentos contemporneos
Por meio de experimentos ele percebeu que:
 todo e qualquer ato que, numa dada situao, produz satisfao, associa-se a essa 
situao, de modo que, quando a situao se repete, a probabilidade de se repetir o ato  
maior. Ou ao contrrio, todo e qualquer ato que, numa situao dada, produz desagrado, 
dissocia-se da situao, de modo que, quando a situao reaparece, a probabilidade de 
repetio do ato  menor do que antes. (Thomdike, 1905, p. 203)
Ele observou tambm que quanto mais a resposta for usada na situao, mais fortemente 
ficar associada a ela. O contrrio tambm vale, ou seja, o desuso prolongado da resposta 
tende a enfraquecer a situao.  a chamada Lei do Efeito. Foi ele quem descobriu tambm 
que, alm da simples repetio, o que mantm de fato o comportamento  a recompensa 
que vem depois da resposta.
No  possvel deixar de apontar a pesquisa, em psicologia animal, realizada por Ivan 
Petrovich Pavlov (1849-1936) que se dedicou a pesquisar itens tais como a funo dos 
nervos do corao, as glndulas digestivas e os centros nervosos superiores do crebro. Foi 
durante esse ltimo estudo que, acidentalmente, Pavlov descobriu algo que mudou 
radicalmente sua carreira e influenciou o desenvolvimento da Psicologia.
Aconteceu que, durante suas investigaes sobre glndulas digestivas, Pavlov usou o 
mtodo de exposio cirrgica dos sujeitos (ces) para poder coletar e medir as secrees 
digestivas fora do corpo do animal. Ele observava que a saliva era produzida 
involuntariamente quando o alimento era colocado na boca do co. Observou que, s vezes, 
antes de o alimento ser colocado na boca, o animal salivava e percebeu que o animal 
aumentava a salivao inclusive quando via o alimento ou mesmo quando ouvia os passos 
dos assistentes, Ento ele pensou que o reflexo da salivao tinha ficado de algum modo 
ligado ou condicionado a estmulos que anteriormente estiveram associados ao alimento. 
Nesse processo h aprendizagem ou condicionamento.
Podemos entender, portanto, que o condicionamento s ocorrer se o estmulo neutro for 
acompanhado pelo alimento um certo nmero de vezes, logo, o reforo (ser alimentado)  
determinante e necessrio para que a aprendizagem ocorra.
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 Histrico das Di/ Vises de Mundo Psquico 
O behavionsmo descreve dois tipos de comportamento:
1) Comportamento reflexo ou respondente   a categoria de comportamento que inclui 
todas as respostas do ser humano e de muitos organismos que so elicidas ou produzidas 
por modificaes especiais de estmulos do ambiente. Por exemplo: luz forte  contrao 
da pupila; descascar cebolas  lgrimas; ar frio  arrepio, etc.
2) Comportamento operante  abrange a maior quantidade de respostas da atividade 
humana, desde o espernear e o balbuciar do beb at o mais complicado poder de raciocnio 
adulto. Inclui todos os movimentos de um organismo que tem algum efeito sobre o mundo. 
O comportamento atua direta ou indiretamente sobre o mundo. Por exemplo: pegar uma 
caneta, pedir uma caneta, falar ao telefone, cantar uma msica, resolver um problema, 
enfim, nos atos da vida cotidiana encontramos a ao do comportamento operante.
Compreendido a partir da, tanto o comportamento quanto a perso nalidade podem ser 
entendidos a partir da aprendizagem. Dessa forma,
segundo Lundin (1975, p. 9):
 como a maior parte do comportamento humano  aprendida, uma compreenso da 
personalidade comea pela observao de como e em que condies o comportamento  
aprendido. [ Embora nosso comportamento possa ser submetido a leis, cada um de ns se 
desenvolve sob diferente conjunto de condies ambientais; assim, quando adultos, ns nos 
encontramos com um tipo diferente, ou nico de equipamento de comportamento. O tipo 
singular de padro de comportamento adquirido durante o longo perodo de 
desenvolvimento de um indivduo  o seu comportamento peculiar, e constitui sua 
personalidade. Da a necessidade de compreenso das condies nas quais se desenvolve o 
comportamento. Este  o problema de controle de estmulos [ a personalidade  a 
organizao do equipamento singular de comportamento que um indivduo adqui riu 
atravs de condies especiais de seu desenvolvimento.
Na verdade, para entendermos mais sobre o acmulo de respostas
que formam, nessa corrente psicolgica, a nossa personalidade, temos
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 Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos 
necessariamente de evoluir no prprio behaviorismo e encontrar o mais
conhecido behaviorista de nosso tempo: Burruhs Frederich Skinner (1904-1989). Voc no 
dever esquecer este nome.
Skinner, doutorado pela Universidade de Harvard em 1931, tem um papel fantstico e 
revitalizador no pensamento de Watson. Ao trabalhar com dados empricos e indutivos, ele 
dizia que nunca havia tratado de um problema
 pela hiptese. Nunca deduzi teoremas, nem os submeti  prova experimental. Pelo que 
sei, eu no tinha um modelo pr-concebido de comportamento  certamente no um 
modelo fisiolgico e mentalista, e, creio eu, tampouco conceitual. (Skinner, 1956, p. 227)
Segundo Skinner em entrevista a Evans:
Eu definiria comportamento como o movimento de um
organismo no espao com respeito a ele mesmo, ou a qualquer
outro quadro de referncia.
Voltou-se para o estudo das respostas e para a descrio do compor tamento e para ele a 
teoria se faz aps dados colhidos e comprovados.
Vamos apontar alguns termos especficos que identificam o texto
behaviorista.
Ji Reforos Positivos: inclui os estmulos que, quando apresentados,
atuam para fortalecer o comportamento que os precede, funcionam
para aumentar a freqncia de respostas desejadas. Ex.: elogios.
D Reforos Negativos: so os estmulos que fortalecem as respostas que o removem e que 
tambm enfraquecem a resposta que o produz. Ex.: o comportamento de tirar o casaco 
porque est muito calor diminui a fora do estmulo ao calor.
Li Extino do Comportamento: para que acontea a extino
do comportamento j condicionado  preciso que acontea a
suspenso do reforo.
Li Punio: refere-se  apresentao de um estmulo conhecidamente
aversivo, aps a ocorrncia do comportamento inadequado ou pela
negao do reforador positivo.  usada para reduzir tendncias
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 Histrico das D Vises de Mundo Psquico
em determinados comportamentos. Ex.: censurar, multas, etc. Os efeitos da punio no so 
opostos aos da recompensa. Parece que a punio suprime temporariamente um 
comportamento e quando ela  suspensa, as respostas reaparecem com o tempo.
Observe esta frase de Skinner:
A civilizao tem caminhado do controle aversivo para uma abordagem positivista. Hoje 
h apenas alguns lugares no mundo onde a escravido ainda  praticada, onde o trabalho  
feito debaixo do chicote. Ns substitumos a punio fisica pelo pagamento de salrios e 
andamos preocupados em achar outros reforadores.
A evoluo do behaviorismo criou intrincados conceitos, tais como
generalizao de respostas, discriminao de respostas, modelagem
de comportamento, etc.
O homem era entendido como a conseqncia das influncias ou foras existentes no meio. 
Para Skinner, o ambiente social chamado de cultura era o responsvel em dar forma e 
preservar o comportamento dos que nela viviam. Leia com ateno essa afirmao de 
Skinner, retirada do livro de MilhollanlForisha, (1978, p.ll, 111):
Para ser forte, uma cultura precisa transmitir-se; precisa dar s crianas seu acmulo de 
conhecimentos, aptides e prticas sociais e tnicas. Grandes pensadores construram sobre 
o passado, em lugar de perder tempo em redescobri-los. A fim de que as escolas realizem 
seu propsito, um controle efetivo do comportamento precisa ser obtido atravs de tcnicas 
especiais. Ensinar  simplesmente o arranjo de contingncias de reforo sob as quais 
estudantes aprendem. Embora estudantes aprendam em seus ambientes naturais,  
responsabilidade do professor apressar e assegurar a aquisio de comportamento.
A educao, no pensamento behaviorista, est ligada  transmisso cul tural, portanto cabe 
 escola transmitir valores ticos, morais, sociais, obje tivando promover mudanas nos 
indivduos. Isso envolve tanto aquisio de novos comportamentos quanto a modificao 
dos que j existem.
Segundo Mizukami (1986, p. 30):
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 Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos
 o ensino, para Skinner, corresponde ao arranjo ou  disposio de contingncias para uma 
aprendizagem eficaz. Esse arranjo, por sua vez, depende de elementos observveis na 
presena dos quais o comportamento ocorre: um evento antecedente, uma resposta, um 
evento conseqente (reforo) e fatores contextuais.
Para Sknner ensinar envolve arranjar as contingncias de reforo e cabe ao professor 
apressar e assegurar a eficaz aquisio de comportamentos novos e a manuteno de 
comportamentos j adquiridos na histria de condicionamentos de cada indivduo. Do 
pensamento skinneriano surgem, no universo do ensino-aprendizagem, a estratgia de 
tecnologia do ensino que envolve desde a mquina de ensinar at a instruo programada.
Para conhecer melhor o pensamento de Skinner, voc no pode deixar de ler pelo menos 
dois de seus livros. O primeiro deles  uma aventura utpica, chamado Waiden two, editado 
pela Summus, e o segundo  a apresentao densa e consistente dos eixos de sustentao de 
sua teoria, chamado Cincia e comportamento humano, editado pela Funbec.
Na clnica, a aplicao das tcnicas de modificao de comportamento  bastante utilizada 
no trabalho com famlias, crianas e deficientes mentais, sempre tendo como enfoque 
terico e de objeto de pesquisa o comportamento. O profissional envolvido com a prtica 
clnica apoiada no pensamento behaviorista deve conceber, com clareza, a idia de que o 
ambiente  soberano na construo da personalidade humana e deve adentrar o mundo das 
tcnicas que envolvam anlise, previso e modelagem de comportamento por meio de 
esquemas de reforamento.
5.2 Teoria da Gestalt (Max Wertheimer (1880-1943),
Wolfgang K (1887-1967) e Kurt Koftka (1886-
1941)) e Teoria de Campo (Kurt Lewin (1890-1947))
A tentativa de consolidar a Psicologia pelo estudo do comportamento observveis sob as 
leis dos condicionamentos pretendia firmar as bases de uma Psicologia cientfica objetiva. 
Essa tentativa foi muito importante para o progresso da Cincia em sua poca, mas mesmo 
assim o behavionsmo
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 Histrico das Djftrentes Vises de Mundo Psquico
americano, tal como as escolas estrutural e funcional, tambm teve seus princpios 
questionados e reconsiderados a partir de outras fontes de pesquisa. Ento aparece no 
cenrio da Psicologia um movimento novo, que foi se desenvolvendo na Alemanha, 
denominado Gestalt.
Essa escola surgiu com o objetivo de questionar e se opor  forma americana de Psicologia. 
Partiu de uma viso de homem oposta a ela, determinou um objeto de estudo novo, enfocou 
seus interesses num homem transformador da realidade observando essa posio, 
principalmente, pelo estudo da percepo.
A base filosfica da nova vertente da Psicologia encontra sustentao filosfica no 
pensamento do filsofo alemo Immanuel Kant (1724-1804)  importante que se conhea a 
obra desse filsofo que se ope  filosofia empirista. Kant entendia que
 a percepo no constitui uma impresso e combinao passiva de elementos sensoriais, 
mas uma organizao ativa desses elementos numa experincia unitria e coesa. A matria- 
prima da percepo recebe assim forma e organizao pela mente [ obviamente para Kant, 
algumas das formas impostas  experincia pela mente so inatas, como o espao, tempo e 
causalidade. Quer dizer, tempo e espao no so derivados da experincia, mas existem de 
forma inata na mente como forma a priori de percepo; elas so intuitivamente 
cognoscveis.
Alm de Kant, tambm o filsofo Franz Brentano (1838-1937) entendia que a Psicologia 
deveria estudar o ato de experimentar e no o contedo da experincia. Esse pensamento 
abriu um campo amplo e flexvel de pesquisa, assim como a fora do movimento 
fenomenolgico do incio do sculo )(X que apontava para a descrio livre da experincia 
imediata tal qual ela ocorria, sem ser dissecada em elementos.
Trs grandes nomes esto ligados ao nascimento da Gestalt e voc no poder esquec-los: 
Wertheimer, professor e pesquisador da Universidade de Frankfurt, Koffla, trabalhou na 
Universidade de Giessen, e K que trabalhou nas Universidades de Berlim e de Frankfurt. 
Todos eles, em algum momento aps a insero do regime nazista na Alemanha, 
emigraram para os Estados Unidos: Wertheimer ficou em Nova York; Koffka, em 
Massachussets e Khler, na Pensilvnia, onde, apesar das dificuldades com o
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 Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos
idioma, filiaram-se a universidades locais e continuaram desenvolvendo suas
pesquisas, alm de conviverem com a psicologia americana.
Esses trs estudiosos escreveram importantes artigos e livros, alm de pesquisarem a 
percepo do movimento aparente, a constncia perceptiva e a aprendizagem, envolvendo 
desde pesquisas com animais feitas por Khler at estudos sobre o pensamento produtivo 
em seres humanos realizados por Wertheimer.
Considerando o crtex cerebral um sistema dinmico em que os elementos da sensao 
interagem de forma co-figurativa, a teoria desenvolvida por eles compreende o processo da 
percepo corno a relao entre a experincia psicolgica e cerebral, ou seja, a percepo 
da realidade no  uma cpia da sensao. Essa compreenso envolve conhecimentos de 
Fsica, Qumica e Biologia, sobre os quais os trs autores se debruaram, cada um a seu 
tempo.
Segundo Schultz (1992, p. 305):
A palavra Gestalt causou considerveis dificuldades porque no indica com clareza, ao 
contrrio do funcionalismo ou do comportamentalismo, o que o movimento representa. 
Alm disso, no tem um equivalente exato em outras lnguas.
Embora tenha alguns significados especficos, a definio mais geral e finalmente mais 
utilizada pelos psiclogos envolve, alm da questo da forma, o estudo dos processos da 
aprendizagem, recordao, percepo, impulso, atitude emocional, do pensamento, da ao, 
etc.
Na verdade, o movimento gestaltista reacendeu o pensamento psico lgico, reanimou as 
pesquisas e relocalizou o sujeito intrapsquico nas discusses em Psicologia, dando 
consistncia ao estudo da percepo e aprendizagem.
A Psicologia da Gestalt faz uma crtica forte com relao ao Estrutu ralismo, ao 
Funcionalismo e ao Behaviorismo, atacando o associacionismo presente nessas linhas na 
Psicologia. Seus estudos sobre percepo oferecem uma compreenso para o 
comportamento humano de forma diferente daquela desenvolvida pelo behaviorista.
Para Khler, autor do livro Psicologia da Gestalt (1929), existem dois
tipos de comportamento. O primeiro, chamado comportamento molar,
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 Histrico das Diferentes Vises de Mundo Psquico 
diz respeito s aes do sujeito no ambiente (andar, realizar, relacionar) e o segundo, 
comportamento molecular, ocorre no organismo (trajeto do estmulo atravs dos nervos).
A Psicologia deve estudar o comportamento molar, o que envolve a compreenso da ao 
do sujeito num contexto ambiental, por exemplo: a atividade do aluno na sala da aula ou a 
atividade da mulher fazendo compras no supermercado. O contexto ambiental onde a ao 
ocorre deve ser observado e entendido. Para ele existem dois tipos de ambientes: o 
geogrfico e o comportamental. Para exemplificar os dois tipos de ambientes, Koffka, 
citado por Kelier (1972), exemplifica contando uma lenda alem na qual um cavaleiro 
solitrio chega a uma hospedaria depois de muitas horas cavalgando sob tempestade por 
uma plancie coberta de neve. O dono da hospedaria fica bastante surpreso ao ver o viajante 
e pergunta de que direo ele vinha. O viajante responde e o dono da hospedaria fica muito 
assustado explicando que o cavaleiro tinha cavalgado pela superficie gelada de um lago. O 
cavaleiro ficou to assustado ao tomar conscincia de que havia corrido tal risco ao 
cavalgar sobre uma camada de gelo que caiu morto diante do hospedeiro.
Koffka diz que o viajante dessa lenda havia, geograficamente, caval gado sobre o lago 
enquanto comportamentalmente atravessava uma plancie slida. Ao pensar que cavalgava 
em cho firme, seu comportamento era comportamento-em-relao-a-uma-plancie. O 
ambiente comportamental  determinado em parte pelo ambiente geogrfico, mas pode no 
se identificar com ele e o ambiente geogrfico pode ser tomado do ponto de vista do 
sujeito, o que significa que o comportamento  dirigido diretamente pelo ambiente 
comportamental e indiretamente pelo geogrfico.
O comportamento na Gestalt deve ser entendido no campo psicofisico e talvez aqui esteja 
sua verdadeira definio como o estudo do comporta mento em suas conexes causais com 
o campo psicofisico, abrangendo, nesse contexto, a percepo dos desejos, intenes, 
xitos, frustraes, decepes, alegrias, dios, etc.
Ao pensarmos na Psicologia da Gestalt, devemos perceber que ela se volta para o estudo do 
comportamento molar ocorrendo num ambiente comportamental que  a organizao 
geogrfica do modo como o sujeito percebe, sendo essa percepo determinada por fatores 
diretos da conscincia e tambm por fatores inconscientes que completam o campo 
psicofisico.
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 Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos
O mtodo utilizado pela Gestalt envolve a instrospeco, como nas escolas anteriores, e a 
observao direta. Seu problema  determinar os tipos de organizao do campo psicofisico 
e estudar suas relaes com o campo geogrfico entendendo o comportamento que resulta 
dessa interao.
No final do sculo XIX, a Psicologia da Gestalt era bastante forte na Alemanha, comeando 
a se impor nos Estados Unidos e ganhando espao nas reas de estudo em psicologia 
infantil, psiquiatria, educao, psicologia aplicada e sociologia, entre outras. A Psicologia 
da Gestalt desenvolveu consistentes testes de personalidade e de inteligncia que integram 
os processos diagnsticos atuais em Psicologia.
No contexto da clnica, surge um procedimento teraputico denominado Gestalt-terapia, 
desenvolvido pelo mdico psiquiatra alemo chamado Frederick S. Peris. Seu trabalho 
aponta para um homem percebido como um todo em um campo. Esse campo diz respeito  
interao dos indivduos com o ambiente. As pessoas possuem estruturas inatas idnticas, 
mas a diferena de compreenso e comportamento so explicadas pelo momento no qual a 
percepo ocorre e em qual ambiente. O enfoque do trabalho teraputico est na 
conscincia de como as coisas esto ocorrendo no momento, o que tira o peso da 
interferncia vivida no passado. Para a terapia, o sujeito saudvel  aquele que vive no 
presente, responde e percebe de acordo com a situao e, sendo assim, pode interagir com o 
meio. O passado deve fazer parte de uma Gestalt j fechada e cada situao atual deve ser 
entendida como um movimento psicolgico que alterna percepes de figura e fundo.
Bastante apoiada nessa escola, surge a Teoria de Campo, por meio das obras do alemo 
Kurt Lewin (1890-1947) que, por ter trabalhado durante dez anos com Wertheimer, Koffka 
e Khler na Universidade de Berlim, utiliza princpios gestaltistas na formulao de um 
novo conhecimento para o qual vai buscar bases metodolgicas na Fsica. Segundo alguns 
autores,  considerado uma das figuras mais importantes na psicologia contempornea. 
Kurt Lewis desenvolve trabalhos que pretendem compreender o interjogo entre indivduo e 
meio, com objetivo de conhecer as leis que regem a organizao psquica do sujeito nele 
inserido.
Sua metodologia rev os procedimentos da pesquisa experimental e
pretende elevar a Psicologia a uma cincia hipottico-dedutiva, recorrendo
tanto  linguagem quanto aos conceitos matemticos.
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 Histrico das Diferentes Vises de Mundo Psquico
Trs conceitos so importantes para compreender a teoria de Kurt Lewin. O primeiro, 
denominado Espao Vital,  compreendido como a articulao entre todos os elementos 
que determinam o comportamento do sujeito num momento especfico; o segundo, Campo 
psicolgico, entendido de acordo com Garcia-Roza (1972, p. 136) no s como uma 
realidade fisica, mas tambm fenomnica, ou seja:
 no so apenas os fatos fisicos que produzem efeito sobre o comportamento. O campo 
deve ser representado tal como ele existe para o indivduo em questo, num determinado 
momento, e no como ele  em si. Para a constituio deste campo as amizades, os 
objetivos conscientes e inconscientes, os sonhos e os medos so to essenciais como 
qualquer ambiente fisico.
e, o terceiro, f?ealidade Fenomnica, equivalente ao ambiente comporta- mental 
desenvolvidos por Koffka na Gestalt e que envolve a forma prpria de interpretao da 
realidade desenvolvida individualmente. Essa interpretao, no entanto, est fortemente 
marcada por linhas de fora que do significados
particulares  percepo e  representao do espao vital.
De acordo com Schultz (1975, p. 320):
Lewin postulou um estado de equilbrio entre pessoa e ambiente. Quando esse equilbrio  
perturbado, surge uma tenso (o conceito de motivao ou necessidade de Lewin), que leva 
a algum movimento, numa tentativa de restaurar o equilbrio. Ele
acreditava que o comportamento humano envolve o contnuo
aparecimento de tenso-locomoo-alvio. Essa seqncia  semelhante a de necessidade-
atividade-alvio. Sempre que uma necessidade  sentida, existe um estado de tenso e o 
organismo tenta descarreg-la agindo de modo a restaurar o equilbrio [
Sua teoria d sustentao para a compreenso de movimentos grupais, no que diz respeito  
interdependncia dos processos que ocorrem entre os indivduos que os compem. Lewin 
criou tambm o conceito de campo social ao estudar as caractersticas de diferentes 
movimentos de liderana, desenvolvendo uma forte e minuciosa estrutura para 
compreenso das dinmicas grupais, necessrias para a evoluo das teorias em Psicologia 
social. Seus estudos contriburam substancialmente para a Psicologia
69
Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos
americana de seu tempo, no instante em que forneceram possibilidades de novas 
compreenses das relaes ticas nos fenmenos como o racismo, as relaes institucionais 
e demais situaes sociais.
5.3 Psicologia Humanista: Cari Ramson Rogers (1902-1987) e Abraham Maslow (1908-
1970)
Movimento mais recente, a denominada Psicologia Humanista toma forma e ganha fora na 
dcada de 1960 e, assim como o behaviorismo, tambm desenvolveu-se nos Estados 
Unidos. Conhecido como a terceira fora, o sistema da Psicologia Humanista pretendeu 
opor-se tanto ao behaviorismo quanto  Psicanlise.
Como no podemos falar das escolas de psicologia sem situar suas matrizes filosficas,  
necessrio dizer que a raiz da Psicologia Humanista pode ser encontrada na filosofia de 
Gottfried Leibniz, cujo pensamento sobre o homem abriu nova perspectiva que levou a uma 
compreenso fenomenolgica com Kierkgaars (1813-1855) e Husserl (1859-1938) e 
existencialistas com Heidegger (1908-1976) e Sartre (1905-1982).
A Fenomenologia de Husserl supe a idia de que no  possvel tratar o homem como uma 
coisa entre outras coisas, muito menos como o resultado da interferncia do mundo da 
fisica e do social. A Psicologia, independentemente do mtodo a ser utilizado, supe uma 
inteno de compreenso do Homem, uma vez que o psiquismo sempre deve ser visto 
como um processo de relao com o mundo.
Fenomenologia e Existencialismo originaro a Psicologia Humanista (por volta de 1950) 
que vai centrar seu enfoque referencial no sujeito inserido num contexto que  nico e que 
pode transformar a vida dentro de si de maneira continuada e infinita. Esse homem  
percebido livre tendo a possibilidade de recriar-se, independentemente dos 
condicionamentos, pois a prpria realidade  percebida de maneira pessoal e  impregnada 
de significados ligados  conscincia pessoal. A vida interior  soberana.
A Associao Americana de Psicologia Humanista diz:
A Psicologia Humanista tem como seu objetivo final a
preparao de uma completa descrio do que significa estar
70
 Histrico das Dijrentes Vises de Mundo Psquico
vivo como ser humano [ Tal descrio completa inclura necessariamente um inventrio da 
dotao inata do homem:
suas potencialidades de sentimentos, pensamento e ao; seu crescimento, evoluo e 
declnio; sua interao com vrias condies ambientais [ A gama completa e a variedade 
de experincias que lhe so possveis, e o seu lugar significativo no Universo. (1967, p. 
71)
Essa descrio vem sendo reformulada, no entanto, sem desviar o foco de sua ateno da 
pessoa que experiencia o meio, com suas possibilidades de escolher, criar, apreciar e se 
auto-realizar, preocupando-se com a dignidade e o valor do homem, interessando-se pelo 
desenvolvimento do potencial inerente em cada pessoa. A Psicologia Humanista 
desenvolve um srio estudo da natureza e da conduta humana e  representada, 
principalmente, pelas obras de Maslow e Rogers.
Maslow desenvolveu uma interessante teoria da motivao humana,
segundo a qual
cada pessoa traz em si uma tendncia inata para tornar-se
auto-realizadora. (1970)
Para que essa tendncia inata se atualize cotidianamente diante das presses da realidade e 
as capacidades de realizao do potencial do homem sejam aproveitadas e ele se auto-
realize,  necessrio que a pessoa satisfaa as necessidades que esto na base da escala de 
hierarquia de prioridades propostas por Maslow.
Essas necessidades so inatas e  preciso que cada uma delas seja
satisfeita antes que a prxima hierarquia surja. A ordem de atendimento
das categorias de necessidades proposta por Maslow :
1) as necessidades fisiolgicas de comida, gua, ar, sono e sexo;
2) as necessidades de garantia: segurana, estabilidade, ordem, proteo e libertao do 
medo e da ansiedade;
3) as necessidades de pertinncia e de amor;
4) as necessidades de estima dos outros e de si mesmo;
5) a necessidade de auto-realizao;
71
- Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos
6) necessidades de conhecimento e compreenso;
7) necessidades estticas.
A Teoria da Motivao, desenvolvida por Maslow, tem ampla utilizao
na educao, na clnica e no contexto das empresas.
Rogers, por sua vez, desenvolveu sua teoria a partir da prpria
experincia clnica. Segundo ele, foi:
 a experincia clnica contnua com indivduos que acreditam precisar de ajuda pessoal, ou 
que so levados por outros a acreditar nessa necessidade [ por um perodo de 
aproximadamente 30 anos, gastei provavelmente uma mdia de 15 a 20 horas semanais, 
exceto nos perodos de frias, no esforo de entend-los e de ser-lhes til terapeuticamente 
[ Destas horas, e de meus relacionamentos com tais pessoas, extra o entendimento que 
possuo sobre a significao da terapia, da dinmica das relaes interpessoais e da estrutura 
e funcionamento da personalidade. (1959, p. 188)
Podemos observar com clareza na base filosfica do pensamento rogeriano um homem 
dotado de livre-arbtrio, em contato com as angstias que provm de sua prpria histria. A 
partir da desenvolveu um mtodo de psicoterapia denominada no-diretiva ou centrada 
no cliente. Esse mtodo de trabalho supe uma postura emptica e incondicional por parte 
do terapeuta, e o cliente  visto como algum capaz de abrir-se para a experincia 
teraputica objetivando desenvolver uma conscincia mais clara de si e do mundo, assim 
como desenvolver a auto-estima positiva necessria para se relacionar de forma harmnica.
A educao beneficia-se sobremaneira do trabalho de Rogers, mesmo
porque ele sempre enfatizou a importncia da relao professor-aluno
como base para o aprendizado eficaz.
Entende-se na Psicologia Humanista de Rogers que na situao de aprendizagem o 
importante  que o aluno, ao entrar em contato com o contedo, faa dele algo seu, ou seja, 
aproprie-se dele de forma significativa e pessoal. O aluno  visto como um ser dotado de 
interesses e responsabilidades, capaz de escolher e de fazer crticas, criativo e o professor  
algum, em primeiro lugar, capaz de relacionar-se e de ser autntico, capaz de
72
 Histrico das Ditrentes Vjses de Mundo Psquico 
entender a si prprio e ao outro, de tal forma que possa ser um facilitador da aprendizagem. 
O contedo conduz ao crescimento e  capacidade de auto-avaliao.
Dessa forma, o professor, inspirado pelas idias humanistas, entender
seu papel como orientador da aprendizagem, uma vez que a nfase est na relao que se 
desenvolve em sala de aula. A ele cabe conhecer-se primeiramente para que possa conhecer 
seu aluno ou grupo de alunos sob sua responsabilidade, num sistema que permita 
autenticidade, congruncia e dinamismo na troca de informaes. O professor  
responsvel. O aluno tambm . E cada um em sua individualidade e no compartilhar dessa 
individualidade desenvolver o contedo num processo de autoconstruo que visa  
atualizao e  regulao afetiva, social e intelectual de cada um deles.
Preparar-se para um trabalho nos moldes da Psicologia Humanista na
clnica, supe que o profissional imprima fora no papel da conscincia e
na lucidez tanto do terapeuta quanto do cliente, o que permitir o contato e
a compreenso da angustia e das emoes na busca da congruncia entre o
pensar, o sentir e o agir. O papel do inconsciente  minimizado e o encontro
consigo mesmo se faz pela troca emptica entre cliente e terapeuta.
5.4 A Psicanlise de Sigmund Freud (1856-1939) e Posies Tericas Derivativas
A vida humana, seja no mbito individual ou social, est sujeita a um movimento cclico, 
com tendncias  repetio e sujeita a fatores no muito claros. Esses movimentos se 
evidenciam nas decises cotidianas do homem comum, nas obras dos artistas, nas 
demonstraes do cientistas que se dispem a dela tratar ou a ela retratar.
A Psicanlise traz na essncia de sua teoria a preocupao em compreender os atos e 
produes psquicas do ser humano. Para isso desenvolveu uma teoria geral do homem que 
se prope a estud-lo na interseco entre seus aspectos genticos, histricos e dinmico, 
com intuito de encontrar ligaes causais entre os trs ngulos, reunindo passado, presente 
e futuro da histria do indivduo.
73
Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos
A Psicanlise desenvolveu-se ao mesmo tempo que as vertentes de
Psicologia. De acordo com Schultz (1998, p. 323), quando Freud, em 1895,
publicou seu primeiro livro:
Wundt tinha sessenta e trs anos, Titchener tinha apenas vinte e oito [ Watson tinha 
dezesseis [ e Wertheimer, quinze [ E no entanto,  poca do falecimento de Freud, em 1939, 
todo o mundo psicolgico se modificara. A psicologia wundtiana, o estruturalismo e o 
funcionalismo eram histria. A psicologia Gestalt estava sendo transplantada da Alemanha 
para os Estados Unidos, e o comportamentalismo se tomara a forma dominante de 
psicologia americana.
Importantssimo apontar que a Psicanlise e a Psicologia desenvol veram-se paralelamente 
no tempo, sem vinculao nem quanto ao objeto de estudo, nem quanto ao mtodo de 
trabalho. Voltada para o inconsciente (que Wundt e Titchener no admitiam em seu sistema 
estrutural) e para a psicopatologia, a Psicanlise comeou a se desenvolver a partir da 
prtica clnica, de forma absolutamente original, num perodo em que a Psicologia estava 
fixando alicerces nos laboratrios, nas bilbiotecas e nas salas de aula, utilizando 
metodologia experimental, emprica e introspectiva para se firmar como cincia pura, 
buscando esquartejar as estruturas da conscincia humana.
Ao organizar este texto, optei por utilizar fragmentos de artigos, livros e conferncias 
realizados pelo prprio Freud, tomando o cuidado de esclarecer alguns termos especficos 
da teoria. Todo o material selecionado foi retirado da Edio Standard Brasileira de suas 
obras completas, publicada pela Imago. Os volumes e pginas das quais os fragmentos 
foram transcritos esto indicados ao final de cada trecho.  importante observar que esse  
um trabalho bastante sinttico que objetiva lanar uma semente de esclarecimento e talvez 
de curiosidade sobre a Psicanlise. A obra de Freud tem uma significativa ligao com sua 
vida, por isso, para uma boa leitura de sua biografia, sugiro o livro Freud uma vida para 
nosso tempo, escrito por Peter Gray e editado pela Companhia das Letras.
No final do sculo XIX. mais precisamente no ano de 1895, foi
publicado o livro Estudos sobre histeria, que marcou o incio formal do
pensamento psicanaltico, escrito em conjunto pelos mdicos pesqusadores
74
 Histrico das Diferentes Vises de Mundo Psquico 
nas reas da Fisiologia e Neurologia, Freud e Dr. Breuer. Alm da base
retirada das pesquisas em Neurologia, o lastro filosfico do pensamento psicanaltico 
aponta para a influncia da filosofia de Leibniz, Harbart e Franz Brentano, o que confere a 
viso determinista do funcionamento mental encontrada em sua teoria.
A originalidade de seu pensamento faz com que Freud v criando um pensamento 
autnomo e independente das reas de conhecimento disponveis no seu tempo. Mesmo da 
Medicina, sua rea de formao, houve um afastamento terico:
 no cuidem, porm, que seja necessria uma especial cultura mdica para acompanhar 
minha exposio. Caminharemos por algum tempo ao lado dos mdicos, mas logo deles 
nos apartaremos [ para seguir uma rota absolutamente original. (Vol. XI, p.l4)
A Psicanlise direcionou seu interesse para o comportamento anormal, para a dor psquica, 
enfoques que foram examinados e estudados a partir da observao clnica. Freud 
enfrentou, desde o incio das formulaes e exposies de suas idias e mtodos, grande 
resistncia por parte da sociedade mdica da poca. Ele mesmo reconhecia que a 
compreenso intelectual de sua teoria no era dificil, o complicado era a aceitao da 
sexualidade infantil e o reconhecimento de que o homem  dominado por processos 
psquicos que desconhece.
 estou realmente certo do espanto dos ouvintes  Existe, ento  perguntaro  uma 
sexualidade infantil?  A infncia no , ao contrrio, o perodo da vida marcado pela 
ausncia do instinto sexual?. No, meus senhores. No  verdade certamento que o instinto 
sexual, na puberdade, entre o indivduo como, segundo o Evangelho, os demnios nos 
porcos. A criana possui, desde o princpio, o instinto e as atividades sexuais. Ela os traz 
consigo para o mundo, e deles provm, atravs de uma evoluo rica de etapas, a chamada 
sexualidade normal do adulto [ No duvido, pois, de que os presentes se acabaro 
familiarizando com a idia, de incio to extica, da sexualidade infantil [  faclima de 
explicar a razo por que a maioria dos homens, observadores, mdicos e outros nada 
querem saber da vida sexual da criana.
75
Psicologia: Das Razes aos Movimentos contemporneos -
Sob o peso da educao e da civilizao, esqueceram a atividade sexual infantil e no 
desejam agora relembrar aquilo que j estava reprimido. Se quiserem iniciar o exame pela 
auto-anlise, com uma reunio e interpretao das prprias recordaes infantis, haviam de 
chegar a convico muito diferente. (Vol. XI, p. 39-41)
Apesar das dificuldades, em pouco mais de 40 anos de trabalho, sua teoria passou por 
reformulaes, ampliou-se e contribuiu, significantemente, para o conhecimento sobre o 
funcionamento mental humano, assim como influenciou diferentes reas de estudo, tais 
como a filosofia, a religio, a literatura, as artes, alm da prpria Psicologia clnica e 
medicina psiquitrica. Mesmo para a educao, embora no encontremos artigos ou 
palestras especficos sobre o tema,  possvel reconhecer firmes influncias:
 no contribu com coisa alguma para a aplicao da Psicanlise  Educao, mas  
compreensvel que as investigaes da vida sexual das crianas e de seu desenvolvimento 
psicolgico tenham atrado a ateno de educadores e lhes mostrado seu trabalho sob nova 
luz. (Vol. XX, p. 86)
Aps ter-se consolidado no meio cientfico, um grupo de estudiosos mantiveram os 
princpios centrais do pensamento de Freud, embora muitos dos conceitos tenham sofrido 
alteraes. Como exemplos de descendentes mais conhecidos podemos citar o brilhante 
discpulo dissidente Cari Gustav Jung e a Psicologia Analtica, Alfred Adier e Karen 
Horney. Estes foram psicanalistas freudianos que partiram para estudos de prprias e novas 
concepes. Temos tambm Gordon Allport, Henry Munay e Erik Erikson que 
desenvolveram suas abordagens depois da morte de Freud, aprofundando suas prticas e 
teorias a partir das idias freudianas, apoiando-se no seu trabalho ou mesmo opondo-se a 
ele.
Segundo o psicanalista Renato Mezan:
A Psicanlise  simultaneamente um mtodo de investigao do sentido dos atos e 
produes psquicas do ser humano, uma teoria geral do homem baseada nos resultados 
desta investigao, e uma forma de tratamento de problemas mentais e emocionais 
derivadas do mtodo e da teoria mencionados.  aproximadamente
76
Histrico das Diferentes Vises de Mundo Psquico
assim que Freud a define em 1924, e esta definio conserva toda
a sua validade. (Caderno Mais  Folha de S.Paulo, 21/11/1993)
Num primeiro momento, essa breve apresentao ir deter-se em dois pontos da teoria geral 
do homem: a construo do mundo psquico por fases e a existncia de constructos que 
estruturam a vida psquica de forma dinmica.
Deixem que se dissipem as dvidas e examinemos juntos a sexualidade infantil desde os 
primeiros anos. O instinto sexual se apresenta muito complexo, podendo ser desmembrado 
em vrios componentes de origem diversa. Antes de tudo,  independente da funo 
procriadora a cujo servio mais tarde se h de por. Serve para dar ensejo a diversas espcies 
de sensaes agradveis que ns, pelas suas analogias e conexes, englobamos como prazer 
sexual. A principal fonte de prazer sexual infantil  a excitao apropriada de determinadas 
partes do corpo particularmente excitveis, alm dos rgos genitais, como sejam os 
orificios da boca, nus e uretra e tambm a pele e outras superficies sensoriais. Como nessa 
primeira fase da vida sexual infantil a satisfao  alcanada no prprio corpo [ d-se-lhe o 
nome de auto-erotismo.
Zonas ergenas denominam-se os lugares do corpo que proporcionam prazer sexual. O 
chupar o dedo, o gozo da suco,  um bom exemplo de tal satisfao auto-ertica partida 
de uma zona ergena [ outra satisfao da mesma ordem, nessa idade,  a excitao 
masturbatria dos rgos genitais, fenmenos que to grande importncia conserva para o 
resto da vida, e que muitos indivduos no conseguem suplantar jamais.
Ao lado dessas e outras atividades auto-erticas revelam-se, muito cedo, na criana, aqueles 
componentes instintivos da libido que pressupe como objeto uma pessoa estranha. Estes 
instintos, aparecem em grupos de dois, um oposto ao outro, ativo e passivo:
cito-lhes como mais notveis representantes deste grupo o prazer de causar sofrimento 
(sadismo) com o seu reverso passivo (masoquismo), e o prazer visual, ativo ou passivo. Do 
prazer
77
 Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos  visual ativo desenvolve-se 
mais tarde a sede do saber, e do
passivo o pendor para as representaes artsticas e teatrais [ a diferena do sexo no tem 
neste perodo infantil papel decisivo; pode-se, pois, atribuir a toda criana, sem injustia, 
uma parcial disposio homossexual.
Esta vida sexual desordenada, rica mas dissociada, em que cada impulso isolado se entrega 
 conquista do prazer independentemente dos demais, experimenta uma condensao e 
organizao em duas principais direes, de tal modo que ao fim da puberdade o carter 
sexual definitivo est completamente formado.
De um lado subordinam-se todos os impulsos ao domnio da zona genital. Por meio da qual 
a vida sexual se coloca em toda plenitude ao servio da propagao da espcie, passando a 
satisfao daqueles impulsos a s ter importncia como preparo e estmulo do verdadeiro 
ato sexual. De outro lado, a escolha de objeto repete o auto-erotismo, de maneira que na 
vida ertica os componentes do instinto sexual s querem satisfazer-se na pessoa amada.
[ J antes da puberdade, sob o influxo da educao, certos impulsos so submetidos a 
represses extremamente enrgicas, ao mesmo passo que surgem foras mentais  o pejo, 
a repugnncia, a moral  que como sentinelas mantm as aludidas represses.
Chegando  puberdade, a mar das necessidades sexuais encontra nas mencionadas reaes 
psquicas diques de resistncia que lhe conduzem a corrente pelos caminhos chamados 
normais e lhe impedem reviver os impulsos reprimidos [
Senhores. Um princpio de patologia geral afirma que todo processo evoludo traz em si os 
germes de uma disposio patolgica e pode ser inibido ou retardado ou desenvolver-se 
incompletamente. Isto vale para o to complicado desenvolvi mento da funo sexual que 
nem em todos os indivduos se
78
Histrico das DUrentes J de Mundo Psquico -
desenrola sem incidentes que deixem aps si ou anormalidade
ou disposies a doenas futuras por meio de uma regresso.
Pode suceder que nem todos os impulsos parciais se sujeitem 
soberania da zona genital; o que ficou independente estabelece o que chamamos perverso 
e pode substituir a finalidade sexual normal pela sua prpria.
Segundo j foi dito, acontece freqentemente que o auto- erotismo no seja completamente 
superado, como testemunham
as multiformes perturbaes aparecidas depois.
A equivalncia primitiva dos sexos como objeto sexual pode conservar-se, e disso se 
originar no adulto uma tendncia homossexual capaz de chegar, em certas circunstncias, 
at a homossexualidade exclusiva.
Esta srie de distrbio corresponde a entraves diretos no
desenvolvimento da funo sexual: abrange as perverses e o nada
raro infantilismo geral da vida sexual. (Vol, XI, pp. 41-43)
Caso seja a primeira vez que o leitor esteja deparando com um texto formulado por Freud, 
poder constatar que suas idias so coerentes, claras, possuem lgica, mas tambm so 
intrigantes e mesmo desconcertantes. Na verdade, esse texto  um dos ncleos de sua 
teoria. Dele retiramos com segurana a base para entendermos a evoluo do mundo 
psquico por fases: Fase Oral (at por volta de 2 anos); Fase Anal (2  4 anos); Fase Flica 
(47 anos); Perodo de Latncia (7 anos at a entrada na puberdade); Fase Genital 
(vivncia da adolescncia at a vida adulta).
A cada uma destas fases corresponde uma diferente atitude sentimental do indivduo para 
com as pessoas de sua companhia
e um diferente grau de desenvolvimento pulsional especfico e
caracterstico. A apreciao de uma determinada qualidade ou
modo de reao da criana nunca pode isolar-se da fase a que
se refere. (Vol. IX, p. 46)
No podemos nos aventurar a falar em Psicanlise se no falarmos
na sua grande descoberta, que  o Inconsciente:
79
 Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos
Estar consciente , em primeiro lugar, um termo puramente descritivo, que repousa na 
percepo do carter mais imediato e certo. A experincia demonstra que um elemento 
psquico (uma idia, por exemplo) no , via de regra, consciente por um perodo de tempo 
prolongado. Pelo contrrio, um estado de conscincia , caracteristicamente, muito 
transitrio; uma idia que  consciente agora no o  mais um momento depois, embora 
assim possa tornar-se novamente, em certas condies que so facilmente ocasionadas. No 
intervalo, a idia foi [ no sabemos o qu. Podemos dizer que esteve latente, e, por isso, 
queremos dizer que era capaz de tomar-se consciente a qualquer momento [ Aqui, 
inconsciente coincide com: latente e capaz de tomar-se consciente, mas [ ao longo de 
outro caminho, descobrimos [ que existem idias ou processos mentais muito poderosos [ 
que podem produzir na vida mental todos os efeitos que as idias comuns produzem [ 
embora eles prprios no se tomem conscientes. Basta dizer que, neste ponto, a teoria 
psicanaltica intervm e assevera que a razo pela qual tais idias no podem tornar-se 
conscientes  que uma certa fora se lhes ope [ O fato de se ter encontrado, na tcnica da 
Psicanlise, um meio pelo qual a fora opositora pode ser removida e as idias em questo 
tomadas conscientes, toma irrefutvel essa teoria. Os estados em que as idias existiam 
antes de se tornarem conscientes  chamado por ns represso, e asseveramos que a fora 
que instituiu a represso e a mantm  percebida como resistncia durante o trabalho de 
anlise.
Obtemos assim o nosso conceito de Inconsciente a partir da teoria da represso. O 
reprimido , para ns, o prottipo do inconsciente. Percebemos, contudo, que temos dois 
tipos de inconscientes: um que  latente, mas capaz de tomar-se consciente, e outro que  
reprimido e no , em si prprio e sem mais trabalho, capaz de tomar-se consciente. Esta 
compreenso interna (insight) da dinmica psquica no pode deixar de afetar a 
terminologia e a descrio. Ao latente (que  inconsciente apenas descritiva mente, no no 
sentido dinmico), chamamos de pr-consciente; restringimos o termo inconsciente ao 
reprimido dinamicamente
80
Histrico das Diferentes Vises de Mundo Psquico -
incosciente, de maneira que temos agora trs termos: consciente, pr-consciente e 
inconsciente (cujo sentido no  mais puramente descritivo). (Vol. XIX, p. 25-28)
Essas idias so essenciais para entrarmos em contato com a teoria psicanaltica, no entanto 
Freud, algum tempo depois, as expande de forma
brilhante e elabora novos constructos tericos, assim apresentados.
 Assim sendo, no usaremos mais o termo inconsciente no sentido sistemtico e daremos 
quilo que at agora temos assim descritos um nome melhor, um nome que no seja mais 
passvel de equvocos [ de ora em diante chama-lo-emos de id (em alemo Es, It em 
ingls, ambos so um mesmo pronome neutro que se traduz por ele, ela, isto  Id  a 
forma latina do mesmo). Esse nome impessoal parece especialmente bem talhado para 
expressar a principal caracterstica dessa regio
da mente.
Superego, Ego e Id  estes so os trs reis, regies, provn cias em que dividimos o 
aparelho mental de um indivduo, e  das
duas relaes mtuas que nos ocupamos a seguir [
Id  a parte obscura, a parte inascessvel da nossa personali dade [ abordamos o Id com 
analogias; denominamo-lo caos, caldeiro cheio de agitao fervilhante. Descrevemo-lo 
estando aberto a influncias somticas e contendo dentro de si necessidade instintuais [ est 
repleto de energias que a ele chegam dos instintos, porm no possui organizao, no 
expressa uma vontade coletiva, mas somente uma luta pela consecuo da satisfao das 
necessidades instintuais, sujeita  observncia do princpio de prazer. As leis lgicas do 
pensamento no se aplicam ao id, e isto  verdadeiro, acima de tudo, quanto  lei da 
contradio [ impulsos contrrios existem lado a lado, sem que um anule o outro [ no id no 
h nada que se possa comparar  negativa [ no id, no existe nada que corresponde  idia 
de tempo [ impulsos plenos de desejos, que jamais passaram alm, do id, e tambm 
impresses, que foram mergulhadas no id pelas represses, so virtualmente imortais; 
depois de passarem dcadas, comportam-se
81
Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos
como se tivessem ocorrido h pouco [ Naturalmente o id no conhece nenhum julgamento 
de valores: no conhece o bem e o mal, nem a moralidade [ catexias instintuais que 
procuram a descarga
 isto, em nossa opinio,  tudo o que existe no id [
Ego  o rgo sensorial de todo o aparelho [  receptivo no s s excitaes provenientes 
de fora, mas tambm quelas que emergem do interior da mente [ o ego  aquela parte do id 
que se modificou pela proximidade e influncia do mundo externo, que est adaptada para a 
recepo de estmulos [ a relao com o mundo externo tornou-se o fator decisivo para o 
ego; este assumiu o papel de representar o mundo externo perante o id  o que  uma sorte 
para o id, que no poderia escapar  destruio se, em seus cegos intentos que visam  
satisfao de seus instintos, no atentasse para esse poder externo supremo. Ao cumprir 
com essa funo, o ego deve observar o mundo externo, deve estabelecer um quadro 
preciso do mesmo nos traos de memria de suas percepes, e, pelo seu exerccio da 
funo de tese de realidade, deve excluir tudo o que nesse quadro do mundo externo  um 
acrscimo decorrente de fontes internas de excitao [ entre uma necessidade e uma ao, 
interpe uma protelao sob forma de atividade do pensamento [ Desta maneira, o ego 
destrona o princpio do prazer e o substitui pelo princpio da realidade, que promete maior 
certeza e maior xito [ O ego evolui da percepo dos instintos para o controle destes. Para 
adotar um modo popular de falar, poderamos dizer que o ego significa razo e bom senso, 
ao passo que o id significa as paixes indomadas [ O ego deve, no geral, executar as 
intenes do id, e cumpre sua atribuio descobrindo as circunstncias em que essas 
intenes possam ser mais bem realizadas [
Por outro lado, o ego  observado a cada passo pelo superego severo, que estabelece 
padres definidos para sua conduta, sem levar na mnima conta suas dificuldades relativas 
ao mundo externo e ao id, e que essas exigncias no so obedecidas, pune-o com intensos 
sentimentos de inferioridade e culpa [ Podemos
82
 Histrico das DiJ Vises de Mundo Psquico 
compreender como  que, com tanta freqncia, no podemos reprimir uma exclamao: a 
vida no  fcil. Se o ego  obrigado a admitir sua fraqueza, ele irrompe em ansiedade  
ansiedade realstica (referente ao mundo externo), ansiedade moral (referente ao superego) 
e ansiedade neurtica (referente  fora das paixes do id).
Como vem, o superego se funde no Id [ e est mais distante do sistema perceptual que o 
ego. O id relaciona-se com
o mundo externo somente atravs do ego.
Ao pensar nessa diviso da personalidade em um ego, um superego e um id, naturalmente, 
os senhores no tero imaginado fronteiras ntidas como as fronteiras artificiais delineadas 
na Geografia Poltica. No podemos fazer justia s caractersticas lineares como as de um 
desenho ou de uma pintura primitiva, mas de preferncia por meio de reas coloridas 
fundindo-se umas com as outras, segundo as apresentam artistas modernos. Depois de 
termos feito as separaes, devemos permitir que novamente se misture, conjuntamente, o 
que havamos separado. (Vol. XXII, p. 94-101)
Parece, ento, que as contradies dos nossos comportamentos explicam- se por si s, 
quando nos for possvel detectar qual parte do nosso ser se apoderou do direito de agir. A 
relao recproca dessas trs instncias  de dinmico e permanente combate.
O caminho percorrido por Freud foi interessante. A compreenso de uma construo de 
normalidade lhe chega mediante rduo estudo daquilo
que  patolgico na personalidade. Ele passou pelo mtodo hipntico
e o abandonou:
 prescindindo do hipnotismo, consegui que os doentes
revelassem tudo quanto fosse preciso para estabelecer os liames
existentes entre as cenas patognicas esquecidas e seus resduos  os sintomas {...]; a 
hipnose acumula as resistncias, criando para o
resto uma barreira intransponvel. (Vol. XI, p. 26, 27)
Para a utilizar a associao livre de idias, mantendo o paciente acordado
e utilizando suas foras conscientes na procura e investigao de sua histria,
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 Psicologia: Das Razes ao Movimentos Contemporneos
 convm dar o nome de complexo a um grupo de elementos ideacionais interdependentes, 
catexizados de energia afetiva. Vemos que partindo da ltima recordao que o doente 
ainda possui, em busca de um complexo reprimido, temos toda possibilidade de desvend-
lo, desde que o doente nos proporcione um nmero suficiente de associaes livres. 
Mandamos o doente dizer o que quiser, cnscios de que nada lhe ocorrer  mente seno 
aquilo que indiretamente dependa do complexo procurado. Talvez lhe parea muito 
fastidioso este processo de descobrir os elementos reprimidos, mas, asseguro-lhes,  nico 
praticvel
as idias livres nunca deixam de aparecer [ associativo que o doente rejeita como 
insignificante [ est sob o poder da resistncia e representa para o psicanalista o minrio de 
onde com o simples artificio da interpretao h de extrair material precioso. (Vol. XI, p. 
32, 33)
Estudou com critrio os atos falhos, os chistes e, principalmente, a
interpretao dos sonhos, sempre com o objetivo de chegar ao inconsciente.
A interpretao dos sonhos  na realidade a estrada real
para o conhecimeto do inconsciente, a base mais segura da
Psicanlise [ (Vol. XI, p. 32)
Neste caminho, vamos nos deter em um ponto que, ao ser reconhecido, pode ser de grande 
utilidade para o profissional que trabalha com o ser humano e que derivou da experincia 
clnica. Examinaremos o fenmeno da transferncia. Esse termo sofreu evoluo 
histrica. Em 1895, Freud observou que os sintomas e os sentimentos presentes, quando 
desconectados das experincias emocionais passadas, eram fator decisivo na instalao da 
sintomatologia neurtica. Ele percebeu que seus pacientes neurticos sofriam de uma 
desconexo entre as experincias atuais e passadas. E observou tambm que, no decorrer do 
tratamento, o elo que favorecia essa ligao ernergia na figura do mdico.
A partir dessa data, vai se cristalizando a constatao clnica de que esses sentimentos so 
repetio, no presente, de atitudes e sentimentos do passado. O que acontece  o 
deslocamento da libido daquele objeto da vida inicial para a figura do mdico, na 
atualidade. Desde ento diferentes profissionais tm constatado que, pela observao das 
transferncias, 
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 Histrico das Di,frentes Vises de Mundo Psquico -
possvel detectar formas habituais de reao diante da realidade, ou sei a, o movimento de 
depositar sentimentos nem sempre atuais para a figura do mdico permeia a relao e 
algumas vezes a determina.
Dessa forma, a relaoj no pode mais ser entendida de forma linear.
Conforme apontou a psicanalista Enid Balint em 1933, temos aqui
 uma viso tridimensional da transferncia. No pensamos mais no paciente projetando 
seus contedos no profissional, mas, ao invs disso, para dentro do profissional [ isto , o 
doente consagra ao mdico uma srie de sentimentos afetuosos, mesclados muitas vezes de 
hostilidade, no justificados em relaes reais e que, pelas suas particularidades, devem 
provir de antigas fantasias tomadas inconscientes. Aquele trecho da vida sentimental, cuja 
lembrana j no pode evocar, o paciente toma a viv-lo nas relaes com o mdico [ A 
transferncia surge
espontaneamente em todas as relaes humanas [
Por outro lado, se entendemos que o paciente projeta contedos incons ciente (medos, 
fantasias, hostilidade, amor, etc.), devemos necessariamente pesquisar a totalidade dos 
sentimentos do profissional com relao ao seu paciente.
Em 1910, Freud considerou contratransferncia o movimento interno que surge no 
profissional como resultado da influncia do paciente sobre seus prprios sentimentos.  do 
reconhecimento da contratransferncia em si que a relao analtica poderia acontecer. 
Segundo ele, nenhum psicanalista vai alm do que lhe permitam os seus complexos e as 
suas resistncias . Portanto,  da teoria psicanaltica que retiramos a idia de que o 
profissional que trabalha com o ser humano precisa exercitar-se permanenternente, pelo 
auto-exames, a perceber em si mesmo a existncia dos sentimentos em relao a seus 
pacientes ou alunos e dos possveis conflitos que eles podem porventura lhe suscitar.
A contratransferncia normal  a empatia que permitir ao profissional assumir uma 
atitude que lhe facilite manter-se em contato com os sentimentos e manifestaes afetivas 
de seus alunos e, ao mesmo tempo, continuar em contato com seus prprios sentimentos de 
forma independente.
So muitos conceitos, muitas idias e ainda nos encontramos na
periferia do pensamento psicanaltico, O enfoque de mundo mental deixado
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Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos
pela Psicanlise nos ajuda a repensar conceitos de normalidade e patologia.
Segundo Clara Regina Rappaport (1989):
Ao perguntarem a Freud, em sua velhicequando j tinha realizado praticamente toda sua 
obra pessoal  como definiria um homem adulto normal, ele respondeu apenas que o 
homem normal era aquele capaz de amar e trabalhar. Alcanar a fase genital constitui, 
para a Psicanlise, atingir o pleno desenvolvimento do adulto normal.  ser o homem que 
comeou a surgir quando a criana perde o nirvana intra-uterino e vai progressivamente 
introjetando e elaborando o mundo. As adaptaes biolgicas e psicolgicas foram 
realizadas. Aprendeu a amar e a competir. Discriminou seu papel sexual. Desenvolveu-se 
intelectualmente e socialmente. Agora  a hora das realizaes.  capaz de amar num 
sentido genital amplo.  capaz de definir um vnculo heterossexual significativo e 
duradouro. Sua capacidade orgstica  plena, e o prazer dela oriundo ser componente 
fundamental de sua capacidade de amar. A perturbao na capacidade orgstica  uma 
tnica dos neurticos. O indivduo normal no s se realizar na genitalidade especfica, 
como o far num sentido mais amplo. A perpetuao da vida  a finalidade ltima da vida. 
Procriar e os filhos sero fonte de prazer [ A obra social  derivada da genitalidade. 
Estabelecer filiaes significativas com profisses, partidos polticos, ideologias religiosas, 
correntes estticas,  sublimao de sua capacidade de amar, de estabelecer um vnculo 
maduro nas relaes naturais homem-mulher.
Em 1911, foi realizado, na cidade de Weimar, o III Congresso Psica naltico. Pouco antes 
dele, Alfred Adler rompeu suas ligaes com Freud e criou a Psicologia Individual, 
apontando para um indivduo com possibilidade de explorar seus potenciais e com 
capacidade para enfrentar suas inferioridades.
Pouco depois desse mesmo congresso Jung tambm rompeu com Freud e criou a Psicologia 
Analtica que se preocupa com as reaes de ordem biolgica, primitivas, subjacentes ao 
funcionamento do psiquismo humano. A histria da vida humana, para ele, comea a partir 
do inconsciente coletivo, cujos arqutipos so herdados com a estrutura cerebral, de tal 
modo que o homem herda tendncias segundo traos inconscientes.
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Histrico das Difrentes Vises de Mundo Psquico 
A partir do surgimento da Psicanlise, sua sedimentao e ampliao, muitas formas de 
trabalho envolvendo o conceito de inconsciente foram tambm se desenvolvendo, inclusive 
teorias e prticas teraputicas que pretenderam compreender as representaes corporais 
das emoes.
No Brasil, a Psicanlise chega atravs da Medicina tanto pelas mos de Franco da Rocha 
que em 1919 publica A doutrina de Freud quanto das de Durval Marcondes, primeiro 
psicanalista brasileiro, tradutor das Obras Completas de Freud. Tambm os modernistas, 
dentro da literatura, introduziram o pensamento psicanaltico no Brasil intelectual. Oswald 
Andrade, Mano de Andrade, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade pontuaram 
o pensamento psicanaltico no contexto brasileiro.
O grande primeiro nome que apresentaremos, na linha de trabalho com o corpo e que tem 
sua origem no pensamento psicanaltico,  o de Wilhelm Reich (1897-1957), pensador 
revolucionrio que coloca, de maneira indiscutvel, a fora da educao familiar na 
formao do carter. Para ele, a formao do carter est em profunda relao de 
dependncia com a situao econmica e histrica na qual o sujeito est submerso. Essa 
estrutura social, segundo Reich, no prefcio  primeira edio de seu livro Anlise do 
carter (1979):
 determina modos definidos de vida familiar, mas
estes modos no s pressupem formas definidas de sexualidade,
como tambm as produzem, na medida em que influenciam
a vida institiva da criana e do adolescente, de que resultam
modificaes nas atitudes e modos de reao correlativos {. ..]
a estrutura do carter  o processo sociolgico congelado de
uma poca.
Sua teoria defende que a sade mental depende da capacidade natural de entrega no auge da 
excitao sexual. Quando essa capacidade est bloqueada por alguma razo, as patologias 
de diversas ordens surgem. Com a viso sociolgica subjacente  sua teoria, Reich entende 
que as perturbaes de ordem psquica so derivativas de duras foras e imposies sociais 
que levam o sujeito  perda de sua autoconflana. O homem contemporneo, fruto de uma 
sociedade patriarca! e autoritria, desenvolveu uma armadura contra a hatureza, dentro de 
si e tambm contra a misria social,fora de si . Essa armadura  fonte geradora de solido 
e do medo das responsabilidades,
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Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos
assim como do desejo de autoridade e do mstico, desenvolvendo mecanismos
de afastamento de si mesmo.
Outro importante terico cujas razes esto fincadas na Psicanlise e na concordncia com a 
existncia do inconsciente  o mdico romeno Jacob Levy Moreno (1892-1974) que 
tambm refletiu sobre os conflitos humanos tentando encontrar uma tcnica que pudesse 
equilibrar as energias espontneas do homem, a fim de que elas pudessem harmonizar a 
vida humana. Influenciado pela filosofia de Bergson, ele trabalha o mundo intrapsquico 
apontando para o papel da espontaneidade e da criatividade, por meio de suas principais 
tcnicas: o sociograma e o psicodrama.
Pela sociometria, Moreno pretendeu realizar o estudo matemtico das propriedades 
psicolgicas das populaes, das estimulaes interpessoais de grupos e multides. Ele 
inverte a perspectiva psicanaltica orientando a personalidade para a ao espontnea, 
transformando o sujeito num ator espontneo, no mais preso ao passado.
O psicodrama pretende facilitar ao indivduo a libertao de seus impulsos espontneos.  
uma tcnica psicoterpica cujas origens se acham no Teatro, na Psicologia e na Sociologia 
e seu ncleo  a dramatizao. Pela manifestao corporal, a tcnica do psicodrama permite 
uma viso conjunta e unssona do enfoque no indivduo e no grupo, suas interaes e suas 
influncias mtuas, investigando ao mximo os vnculos desenvolvidos e suas 
caractersticas. Segundo Moreno:
Historicamente, o psicodrama representa o ponto decisivo na passagem do tratamento do 
indivduo isolado para o tratamento do indivduo em grupos; do tratamento do indivduo 
com mtodos verbais, para o tratamento com mtodos de ao.
Este captulo apresentou diferentes vertentes de Psicologia. Cada uma delas pretende 
observar, compreender e trabalhar o homem, no que diz respeito a seus processos psquicos, 
 construo de suas expresses normais ou patolgicas, na educao, na clnica, na 
empresa ou onde quer que ele esteja atuando. Diante de um objeto de estudo to amplo, a 
pesquisa, em Psicologia, desdobra-se de acordo com o interesse do estudioso. Dessa forma, 
foram delimitando-se grandes reas de subdivises na Psicologia. Esse ser o objetivo do 
prximo captulo.
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